a canja de galinha e as dores-de-cabeça

Não costumo ter dor de cabeça, pelo menos não literalmente. “Dores-de-cabeça”, tenho muitas. Mas hoje, uma pequena e insistente dorzinha se instalou. Talvez por eu ter ficado muitas horas trabalhando na frente do monitor, pelos prazos corridos, pela faxineira que mal voltou e já me deu um monte de notícias chatas (acabou a cândida, o sabão em pó, a máquina de lavar parou de funcionar, a mancha do vestido não saiu) ou pela filha de férias macaqueando pela casa e produzindo um constante (e alto) ruído em segundo plano. O fato é que, hoje, eu estou meio azeda. E, portanto, sem muita vontade de aventuras culinárias.

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a salada de todo dia

Hoje vai ter salada. Aqui, todo dia tem salada, desde que eu me conheço por gente. Na minha casa sempre teve saladão em todas as refeições. Saladeira gigante na mesa, super bem temperada. A gente até brigava pelo talinho da alface, ou pelo último rabanete. Eu estranhava muito quando ia almoçar na casa de alguém e chegava na mesa aquele prato triste com quatro folhas secas de alface embaixo de algumas rodelas de tomate, com os temperos separados em garrafinhas ao lado do saleiro entupido. É claro que ninguém gostava de salada.

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a lentilha infinita

A lentilha que eu fiz há 4 dias já foi sopa para a família inteira, tomou o lugar do feijão ao lado do arroz integral em duas refeições e ainda não acabou. Vai de novo para a mesa (ainda bem que está gostosa). É, talvez eu tenha feito demais. Ou se trata de uma lentilha mágica infinita capaz de alimentar o mundo todo para sempre. Vou ficar atenta, talvez eu tenha que ligar para a ONU e contar as boas novas. Mas acho que, desta vez, a conta realmente foi equivocada.

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a dieta mitológica

Não me lembro de um início de janeiro que não trouxesse junto um início de dieta. A esbórnia da passagem de ano e a carga de força e coragem que nos inunda formam um quadro perfeito para as resoluções e promessas que vão, finalmente, nos transformar em pessoas perfeitas. Agora vai! 

Mas eu já vivi isso o suficiente para saber que não funciona, que não é o fato de ter um ano novo em folha que vai fazer você conseguir alguma coisa que sempre tentou e nunca conseguiu. É claro que podemos superar nossos limites em qualquer momento da vida, mas não é o mês de janeiro que vai dar conta disso. 

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o misto-quente na estrada

Acordei às 3:40h e precisamente às 4:22h estava com as malas no carro, 1 café e 2 biscoitos no estômago, pronta para enfrentar a saga da volta do litoral pós-feriados, sem saber quantas horas de direção me aguardavam. O Sol, obviamente, não tinha aparecido e nem ia aparecer, pois, para deixar tudo mais animado, havia três dias, caía uma insistente tempestade de proporções bíblicas. Pelo menos a noite de Ano Novo foi linda e eu pulei as sete ondinhas no mar, e não na enxurrada da calçada, colocando as bagagens no carro, como hoje, às 4 da manhã.

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